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versão para imprimir - aqui René Descartes 31/03/1596 – 11/02/1650 René Descartes nasceu a 31 de março de 1596, em La Haye en Touraine a cerca de 300 quilómetros da cidade de Paris, foi um notável matemático, físico e filósofo francês do século XVII. Sendo também, durante a Idade Moderna, conhecido por seu nome latino Renatus Cartesius. Seu pai, Joachim Descartes, advogado e juiz, possuía terras e o título de escudeiro, além de ser conselheiro no Parlamento de Rennes, na Bretanha. A sua mãe, Jeanne Brochard, morreu quando ele tinha um ano. Com oito anos, ingressou no colégio jesuíta Royal Henry-Le-Grand, em La Flèche. O curso em La Flèche durava três anos, tendo Descartes sido aluno do padre Estevão de Noel, que lia Pedro da Fonseca nas aulas de Lógica, a par dos Commentarii. Descartes reconheceu que lá havia certa liberdade, no entanto no seu discurso sobre o método declara a sua deceção não com o ensino da escola em si mas com a tradição Escolástica, cujos conteúdos considerava confusos, obscuros e nada práticos. Em carta a Mersenne, diz que "os Conimbres são longos, sendo bom que fossem mais breves. Crítica, aliás, já então corrente, mesmo nas escolas da Companhia de Jesus". Nessa altura, a sua saúde era de certa forma frágil, o que fez com que ele adquirisse um hábito que manteve por quase toda a vida: permanecia deitado em sua cama até tarde, meditando. Descartes esteve em La Flèche durante cerca de nove anos (1606-1615). Descartes não mereceu, como se sabe, a plena admiração dos escolares jesuítas, que o consideravam deficiente filósofo. Contudo, o seu interesse pela matemática surgiu bastante cedo, ainda no College de la Flèche. Prosseguiu depois seus estudos graduando-se em direito, em 1616, pela Universidade de Poitiers. No entanto, Descartes nunca exerceu o direito, e em 1618 foi para a Holanda, alistando-se no exército do Príncipe Maurício, com a intenção de seguir carreira militar. Mas se achava menos um ator do que um espectador: antes ouvinte numa escola de guerra do que verdadeiro militar. Conheceu então Isaac Beeckman, que o influenciou fortemente e compôs um pequeno tratado sobre música intitulado Compendium Musicae  (Compêndio de Música). Também é dessa época (1619-1620) o Larvatus prodeo Ut comœdi, moniti ne in fronte appareat pudor, personam induunt, sic ego hoc mundi teatrum conscensurus, in quo hactenus spectator exstiti, larvatus prodeo. Esta declaração do jovem Descartes no preâmbulo das Cogitationes Privatae (1619) é interpretada como uma confissão que introduz o tema da dissimulação, e, segundo alguns, marca uma estratégia de separação entre filosofia e teologia. Jean-Luc Marion, em seu artigo Larvatus pro Deo: Phénoménologie et théologie refere-se à abordagem dionisíaca do homem escondido diante de deus (larvatus pro Deo) como justificativa teológica do filósofo que avança mascarado (larvatus prodeo). Em 1619 viajou para a Alemanha, onde, segundo a tradição, em dia 10 de Novembro teve uma visão em sonho de um novo sistema matemático e científico. No mesmo ano ele viaja para a Dinamarca e à Polónia. Em 1622 retornou à França, passando os anos seguintes em Paris. Em 1628 compõe as Regulae ad directionem ingenii (Regras para a Direção do Espírito) e parte para os Países Baixos, onde viveu até 1649. Em 1629 começa a redigir o Tratado do Mundo, uma obra de Física na qual aborda a sua tese sobre o heliocentrismo. Porém, em 1633, quando Galileu é condenado pela Inquisição, Descartes abandona seus planos de publicá-lo. Em 1635 nasce Francine, filha de uma serviçal. A criança é batizada em 7 de Agosto de 1635, morrendo precocemente em 1640, o que mexeu fortemente com Descartes. Em 1637 publicou três pequenos tratados científicos: a Dióptrica, os Meteoros e a Geometria, mas o prefácio dessas obras é que faz seu futuro reconhecimento: o Discurso sobre o método. Nesta altura a geometria analítica de Descartes apareceu e na obra Discurso sobre o método defende o método matemático como modelo para a aquisição de conhecimentos em todos os campos. Em 1641 aparece sua obra filosófica e metafísica mais imponente: As Meditações Sobre a Filosofia Primeira, com os primeiros seis conjuntos de objeções e respostas. Os autores das objeções são: do primeiro conjunto, o teólogo holandês Johan de Kater; do segundo, Mersenne; do terceiro, Thomas Hobbes; do quarto, Arnauld; do quinto, Gassendi; e do sexto conjunto, Mersenne. Em 1642 a segunda edição das Meditações incluía uma sétima objeção, feita pelo jesuíta Pierre Bourdin, seguida de uma Carta a Dinet. Em 1643 o cartesianismo é condenado pela Universidade de Utrecht. Descartes inicia a sua longa correspondência com a Princesa Isabel (1618 – 1680), filha mais velha de Frederico V e de Isabel da Boémia. A correspondência deverá durar sete anos, até a morte do filósofo, em 1650. Também no ano de 1643, Descartes publica Os Princípios da Filosofia, onde resume seus princípios filosóficos que formariam "ciência". Em 1644 fez uma visita rápida à França, onde encontrou Chanut, o embaixador francês junto à corte sueca, que o põe em contato com a rainha Cristina da Suécia. Nesta ocasião, Descartes teria declarado que o Universo é totalmente preenchido por um "éter" onipresente. Assim, a rotação do Sol, através do éter, criaria ondas ou redemoinhos, explicando o movimento dos planetas, tal qual uma batedeira. O éter também seria o meio pelo qual a luz se propaga, atravessando-o pelo espaço, desde o Sol até nós. Em 1647 Descartes foi premiado pelo Rei da França com uma pensão e começa a trabalhar na Descrição do Corpo Humano. Entrevista Frans Burman em Egmond-Binnen (1648), resultando na Conversa com Burman. Em 1649 foi à Suécia, a convite da Rainha Cristina. Seu Tratado das Paixões, que ele dedicou à sua amiga Isabel da Boêmia, fora publicado. René Descartes morreu de pneumonia em 11 de fevereiro de 1650, em Estocolmo, na Suécia, depois de dez dias doente, onde estava trabalhando como professor a convite da Rainha. Acostumado a trabalhar na cama até meio-dia, há de ter sofrido com as demandas da Rainha Christina, cujos estudos começavam às 5 da manhã. Fragilizado pela mudança de hábitos e pelo frio intenso, uma gripe acabou se transformando em pneumonia, doença que causou sua morte. Como um católico num país protestante, ele foi enterrado num cemitério de crianças não batizadas, na Adolf Fredrikskyrkan, em Estocolmo. Em 1667 os restos mortais de Descartes foram repatriados para a França e enterrados na Abadia de Sainte- Geneviève, de Paris. Um memorial construído no século XVIII permanece na igreja sueca. No mesmo ano a Igreja Católica coloca as suas obras no índice de livros proibidos. Embora a Convenção, em 1792, tenha projetado a transferência do seu túmulo para o Panthéon, ao lado de outras grandes figuras da França, desde 1819, seu túmulo está na Igreja de Saint-Germain-des-Prés, em Paris. A vila no vale do Loire onde ele nasceu foi renomeada La Haye-Descartes e, posteriormente, já no final do século XX, Descartes. Reconhecido pelo trabalho desenvolvido na área da filosofia e na ciência. No campo da matemática foi revolucionário, criando uma fusão entre a álgebra e a geometria, facto que deu origem à geometria analítica e ao notável sistema de coordenadas (plano cartesiano) que todos nós aprendemos na escola e que tem o seu nome. Desenvolveu ainda o Método Cartesiano no qual defende que só se deve considerar algo como verdadeiramente existente, caso possa ser comprovada sua existência. Também conhecido como ceticismo metodológico, segue o princípio de que devemos duvidar de todos conhecimentos que não possuem explicações evidentes. Este método também se baseia na realização de quatro regras: verificar, analisar, sintetizar e enumerar: - A primeira regra é a verificar : não admitir "nenhuma coisa como verdadeira se não a reconheço evidentemente como tal". Em outras palavras, evitar toda "precipitação" e toda "prevenção" (preconceitos) e só ter por verdadeiro o que for claro e distinto, isto é, o que "eu não tenho a menor oportunidade de duvidar". Por conseguinte, a evidência é o que salta aos olhos, é aquilo de que não posso duvidar, apesar de todos os meus esforços, é o que resiste a todos os assaltos da dúvida, apesar de todos os resíduos, o produto do espírito crítico. Não, como diz bem Jankélévitch, "uma evidência juvenil, mas quadragenária"; - A segunda, é a regra da análise: "dividir cada uma das dificuldades em tantas parcelas quantas forem possíveis"; - A terceira, é a regra da síntese: "concluir por ordem meus pensamentos, começando pelos objetos mais simples e mais fáceis de conhecer para, aos poucos, ascender, como que por meio de degraus, aos mais complexos"; - A última regra é a enumeração: "desmembramentos tão complexos... a ponto de estar certo de nada ter omitido". Descartes, por vezes chamado de "o fundador da filosofia moderna" e o "pai da matemática moderna", é considerado um dos pensadores mais importantes e influentes da História do Pensamento Ocidental. Inspirou contemporâneos e várias gerações de filósofos posteriores; boa parte da filosofia escrita a partir de então foi uma reação às suas obras ou a autores supostamente influenciados por ele. Muitos especialistas afirmam que a partir de Descartes inaugurou-se o racionalismo da Idade Moderna. Décadas mais tarde, surgiria nas Ilhas Britânicas um movimento filosófico que, de certa forma, seria o seu oposto - o empirismo, com John Locke e David Hume. São ainda de sua autoria algumas frases bastante referidas, como é o caso de: "Penso, logo existo"; "É preferível ter os olhos fechados, sem nunca tentar abri-los, do que viver sem filosofar"; "A razão e o juízo são as únicas coisas que diferenciam os homens dos animais"; "Daria tudo que sei em troca da metade de tudo que ignoro". Obras 1628 Regras para a Direção do Espírito, obra da juventude inacabada na qual o método aparece em forma de numerosas regras 1632-1633 O Mundo ou Tratado da Luz, obra que contém algumas das conquistas definitivas da física clássica: a lei da inércia, a da refração da luz e, principalmente, as bases epistemológicas contrárias ao que seria denominado de princípio da ciência escolástica, radicada no aristotelismo. 1637 Discurso Sobre o Método 1637 Geometria 1641 Medições Metafísicas 1641 Medições sobre Filosofia primeira; Objeções e Respostas 1644 Princípios da Filosofia 1647/48 Descrição do Corpo Humano 1649 As Paixões da Alma Sites recomendados http://educacao.uol.com.br/biografias/rene-descartes.jhtm http://educacao.uol.com.br/biografias/rene-descartes.jhtm http://oregonstate.edu/instruct/phl302/philosophers/descartes.html http://www.e-biografias.net/rene_descartes/ http://www.infoescola.com/filosofos/rene-descartes/ http://pensador.uol.com.br/autor/rene_descartes/
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